Mais um paradigma comove o país.
O drama continuado de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, assassinado pela madrasta, enfermeira, Graciele Ugolini, com a possível cumplicidade do pai do garoto, o cirurgião plástico Leandro Boldrini, e do Poder Judiciário e Ministério Público, unidos numa sucessão de exonerações de responsabilidades certas, de dar gosto.
O caso de Bernardo se soma a tantos outros que conheço, demonstrativos da absoluta inépcia do Poder Judiciário e do Ministério Público em lidar com casos deste naipe tão escandaloso, a ponto de colocar o dedo na cara e na ferida da falência do Estado em lidar com dramas familiares e sociais.
Não quero desviar o assunto, mas pouco divulgado e discutido o escândalo de agora deflagrado no Tribunal de Justiça do Ceará (e que não difere tanto assim do que vem ocorrendo com tantos tribunais estaduais e federais do país), quanto à venda de decisões em habeas corpus aos finais de semana. Explico:
Dois desembargadores, outros tantos promotores de Justiça, serventuários e advogados cearenses se “acertaram”, colocando preço de tabela de R$ 150 mil por pedido de habeas corpus, a ser concedido aos finais de semana, nos plantões judiciários, independentemente da “folha corrida” do paciente (o preso).
Tivesse o infeliz 10 homicídios, tráfico de drogas, roubo e sequestro, quadrilha armada e crime organizado, o sujeito era invariavelmente libertado por obra e graça da propinagem judicial e ministerial, que correu solta desde 2010/2011.
E não se pense que isto não ocorre no Tribunal de Justiça e Ministério Público de São Paulo. Ocorre sim, só que o preço é bem mais salgado... Paulista é paulista, mesmo quando juiz e promotor é ladrão e corrupto.
A questão no caso de Bernardo, que clama, é que o menino, sozinho, de 11 anos, primeiro foi ao Conselho Tutelar. Não foi ouvido. Foi então, sozinho, ao Ministério Público. Não foi ouvido. Foi ai, em desespero de causa, ao juiz da cidade e implorou fosse mudado de família. Disse que apanhava e era maltratado pela madrasta com a cumplicidade do pai. Não foi ouvido...
Sequer a avó materna esse bando de ineptos chamaram. Fizeram uma audiência com o pai, o qual, médico, esperto, se “comprometeu” a "mudar a sua relação" e também a da madrasta com relação ao convívio com o filho, e este, na pequenez de seus 11 anos, vendo-se sem mais alternativa, “aceitou voltar para casa com o pai”.
Na verdade, o Juiz e a Promotora fingiram acreditar na "estória", cumpriram com os seus "deveres legais e jurídicos", encerraram o caso e mandaram a serventia compor estatística...
Nojentos... Uma merda de prestação jurisdicional, como tantas outras.
A desculpa nauseabunda, esfarrapada, do juiz e da promotora da causa, é que o menino “manifestou sua concordância”, a desculparem-se do sangue do garoto que pinga também das mãos desta dupla de ineptos, que em nenhum momento, até por não se darem ao trabalho, chamaram a avó materna para ser ouvida.
Ora. Judicar e ministeriar é de uma responsabilidade ímpar. Se não quer trabalhar como se deve, vá vender na praça cachorro quente... No máximo, se for um mau profissional, após duas ou três dores de barriga, vem a fiscalização e fecha a bodega.
E se verá que falhou também a polícia. A mãe de Bernardo, segundo consta, se suicidou na frente do filho ainda bebê. Na cena do tão somente presumido suicídio, segundo consta, estava a madrasta, já amante do marido, a qual, tendo acesso a anestésicos, dopou antes e matou depois o garoto.
Prudente é a exumação do corpo desta mulher, a se ver por qual meio se “suicidou”...
Que merda de Estado!
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