segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Veja confirma o que Alvaro Dias cansou de avisar




Parlamentares comeram pizza preventivamente ao supostamente investigarem Graça Foster – Crédito: Gerdan Wesley
Brasília – Quando a CPI da Petrobras no Senado teve início, o senador tucano Alvaro Dias (PR) avisou com veemência: as perguntas entre os investigadores e investigados foram combinadas, o que tira a credibilidade dos trabalhos. O que o paranaense viu ao longo da CPI foi confirmado neste fim de semana pela manchete da revista “Veja”.

A reportagem descreve o jogo de cena montado entre representantes da Liderança do PT no Senado, Petrobras, funcionários ligados à Secretaria de Relações Institucionais, senadores e os investigados convocados a depor na CPI.

Toda a denúncia provém de um vídeo de 20 minutos de duração filmado por uma caneta dotada de câmera. Nele, está explicado que as perguntas das investigações foram montadas pelos assessores e enviadas a cada um dos depoentes para estudo prévio e combinação de respostas.

Após os depoimentos da presidente Graça Foster, do ex-dirigente José Sérgio Gabrielli e do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, Alvaro Dias alertou que a farsa estava no ar. Para ele, o nível de concordância nas respostas e as contradições gerais do caso indicavam que tudo era apenas um teatro.

“Não há um depoimento que não seja acertado com quem comanda o processo”, assinalou no final de maio. Para ele, o jogo teve início antes da CPI e não teve fim após os depoimentos. “É uma estratégia de desdizer o que já foi dito. As contradições existem porque não há sinceridade na postura do governo”.

Alvaro tinha razão. Cerca de duas semanas depois, Graça Foster voltou ao Congresso para depor na CPMI da Petrobras. Durante oito horas, mostrou um entrosamento incrível com o relator dos trabalhos, o senador Vital do Rego (PT-PB), e praticamente fez um trabalho de elogio institucional à empresa. Nem parecia uma investigação.

O tucano reagiu imediatamente ao que viu no plenário da CPMI. “O relator não está perguntando sobre escândalos, superfaturamento, desvios de verbas. Faz perguntas aleatoriamente sem nenhum objetivo da investigação. A tentativa é fazer uma ação entre amigos e nós ficamos na área do ‘corner’, com minoria insignificante numericamente.”

Dias não foi o único tucano a ressaltar o jogo combinado entre o governo e os investigados na CPI. Anteriormente integrante das investigações no Senado, Cyro Miranda (GO) abandonou os trabalhos em 20 de maio exatamente por perceber que a novela já estava em curso diante dos olhos do Brasil. Na ocasião, o ex-presidente Gabrielli era o depoente e, de forma espantosa, apresentou explicações que contradisseram suas próprias palavras ditas na imprensa dias atrás.

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